No início da pandemia, o foco de preocupação coma doença eram os sintomas pulmonares. Passados 2 anos da chegada do novo coronavírus ao Brasil, a ciência vem mostrando que os danos causados pela doença vão muito além disso. O que tem sido cada vez mais visto, é que o Sars-CoV-2 causa uma doença sistêmica que pode afetar diferentes áreas do corpo simultaneamente.

Passada a fase inicial da doença, alguns sintomas tem se mantido presentes, tais como fadiga crônica, acompanhada de raciocínio lento, falhas na memória e sensação de incapacidade de mover o corpo por cansaço extremo.

A razão por trás disso, ninguém sabe dizer ao certo. Segundo especialistas, algumas linhas de pesquisa apontam que os sintomas neurológicos são causados por uma reação do próprio corpo em resposta à covid-19, criando um gatilho para desencadear processos inflamatórios reativos. Essa reação exagerada do sistema imunológico, chamada de tempestade de citocinas (as emissões de sinais entre as células durante o desencadeamento das respostas imunes) ocorre quando o próprio organismo do indivíduo cria um mecanismo de defesa desproporcional para combater as várias células já infectadas pelo Sars-CoV-2. A inflamação sistêmica causada nesse processo é indicada como uma das possíveis razões para sequelas como a fadiga, perda de memória e falta de olfato e paladar.

Outra hipótese, é que esse processo de inflamação crônica seja causado por pequeníssimas quantidades de vírus residuais. A hipóxia silenciosa (falta de oxigênio no cérebro que não causa sinais intensos no início) também é apontada como uma provável causa de danos graves. Além disso, há a possibilidade— ainda sendo estudada— de que as células do cérebro sejam diretamente prejudicadas pelo vírus.

Podem existir estágios diferentes desse mesmo fenômeno. Pelo que a medicina tem observado, da ação de outros vírus e doenças infecciosas que desencadeiam quadros semelhantes, quando dura menos de oito semanas, geralmente o problema é revertido naturalmente. Para uma parcela menor, o sintoma de falta de energia pode durar de seis meses até um ano – e ainda não se sabe como os danos causados pela doença vão repercutir em longo prazo.

As sequelas podem atingir a qualquer um que tenha sido infectado pelo vírus, mas àqueles que que passaram por internação prolongada devem ter mais cuidado. O tratamento se dá de forma a controlar os sintomas apresentados e vai variar de pessoa para pessoa. Por isso, é importante ficar atento aos sinais do seu corpo e buscar ajuda de especialistas se necessário.